22 dezembro, 2010

Guarde as melhores sementes - com bom senso!

Não é mais raro conhecer uma pessoa centenária. Cálculos atuariais básicos indicam que metade das pessoas com 60 anos de idade ultrapassarão os 82 anos e o IBGE divulga através do Censo 2010, um total de 23.760 brasileiros com mais de 100 anos. Caberia a pergunta sensata e muito repetida do Humberto Gessinger: "E eu? O que faço com esses números? "
Bem, esses números alertam para a necessidade de um maior planejamento, de um comportamento mais previdente não só nos aspectos financeiros - já muito explorado pela nova expressão "educação financeira", mas sobretudo nos aspectos emocionais e sociais, para que possamos enfrentar a terceira idade da forma mais nivelada possível com a vida ativa.

No contexto econômico, previdenciário e indígena, esses números reforçam a teoria de que "guardar as melhores sementes para o amanhã" permanece sendo uma das práticas mais recomendadas.

A despeito de tantos ensinamentos, no Brasil, observa-se que as pessoas que se esforçam para cumprir a tarefa de casa de ser previdente, seja guardando dinheiro ou sendo moderado com os hábitos cotidianos, terminam por ser consideradas por alguns como "sovinas" ou "gananciosas", caracterizando, praticamente, a existência de - mais um! -  preconceito no nosso país, embora muito estranho, em relação ao dinheiro.

Existe a dificuldade de pagar o aluguel, de comprar remédios; existe a preocupação com os recursos do planeta, mas a grande maioria ainda insiste em buscar viver com tudo “do bom e do melhor” ainda que seja ao custo de um futuro precário. Planejar? Investir? Futuro? Não, infelizmente, isso ainda não nos pertence de fato, pois há propagandas que repetem, exaustivamente, "que o futuro é agora" , "eu quero é viajar!" e "o importante é ser feliz!".

Em relação à felicidade, embora não seja simples transformá-la em números, a Pesquisa Mundial do Gallup, publicada pela revista Forbes em Jul/2010, fez um levantamento com milhares de participantes em 155 países, entre 2005 e 2009, a fim de medir dois tipos de bem-estar, cujos resultados resumo no quadro a seguir:

Tipo de bem-estarResultado da pesquisa
Satisfação geralRelacionada à riqueza do país.
(Países líderes do ranking da pesquisa: Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e Holanda lideram o ranking da pesquisa);
Satisfação em um passado recenteRelacionada às necessidades psicológicas e sociais, e não necessariamente o bem estar econômico

Ressalta-se que nessa pesquisa de felicidade, o Brasil ficou em 12º lugar, inclusive à frente dos EUA e da Áustria.

Fazendo um contraponto, transcrevo aqui um e-mail com um texto do Max Gehringer, o qual recebi nesses dias reflexivos do Natal que se aproxima: 
Viver ou Juntar dinheiro?

[...] Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida. 
Pensar no futuro, com responsabilidade e bom senso não é ser um "ganancioso" que deixa de viver as boas coisas da vida, e sim, uma pessoa que a compreende a certeza dos custos variáveis e a redução (quando feliz) gradual de nossa força e poupança com o tempo.

Nem o "comportamento previdente de uma incansável formiga", nem a "cantoria despreocupada de uma cigarra aproveitadora", cuja disparidade pode ser vista em uma das mais famosas fábulas do escritor francês Jean de La Fontaine - O desafio de Jean de La Fontaine.

Por fim, sem jamais querer julgar a forma como cada um trata do seu futuro e presente e passado, a recomendação milenar parece permanecer: poupar, guardar as melhores sementes para o "incerto futuro". Mas o "certo hoje" também precisa ser lembrado. Em resumo: nem mesquinho, nem perdulário - equilibrado, apenas.

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