01 outubro, 2009

Trabalhador vive expectativa para investir o FGTS em ações

Marinella Castro - Estado de Minas Fonte: http://www.uai.com.br - Acesso: 01/10/2009. Os investimentos no petróleo do pré-sal se tornaram um combustível extra para as esperanças dos trabalhadores que têm recursos retidos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Entre 2000 e 2002, o governo federal permitiu que trabalhadores investissem parte de seus recursos na compra de ações da Petrobras e da Vale. Apesar da crise financeira mundial, o fundo FGTS da Petrobras se valorizou nos últimos nove anos mais de 700%, percentual três vezes superior ao da variação da Ibovespa, que acumulou ganhos de 237%. Lucro parecido teve quem em 2002 destinou parte do fundo para comprar ações da Vale, que rendeu até sexta-feira passada mais de 800%, mais de duas vezes a valorização do Ibovespa no mesmo período. Se o dinheiro não tivesse saído do fundo, gerenciado pela Caixa Econômica Federal, o rendimento no período não ultrapassaria 60%, cerca de 12 vezes menos que o ganho com as ações da estatal.

A expectativa dos trabalhadores é de que o tema ganhe força no Conselho Curador do FGTS e que o governo decida pela liberação do uso do saldo do fundo para nova compra de ações da estatal do petróleo. O tema voltou ao foco com o debate sobre o uso ou não do FGTS para compra de novas ações da Petrobras, o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou no momento. A estatal precisa ser capitalizada para investir no pré-sal.

Comparados com outros investimentos como a poupança, a renda fixa e até o dólar, os fundos de ações com o dinheiro do FGTS mostram uma distância que surpreende até mesmo quem corre os riscos do mercado financeiro. “Com a liberação do FGTS para compra de ações, o governo acabou fazendo um excelente trabalho de educação financeira com a população”, defende o executivo Juliano Lima Pinheiro, sócio-diretor da Fiere Investimentos. Segundo ele, como o recurso só poderia ser sacado por motivos especiais, como a compra da casa própria, o investidor foi forçado a manter seu dinheiro nos fundos, se beneficiando da valorização acumulada ao longo dos anos. “Investimentos na bolsa devem ser feitos a médio e longo prazo, no mínimo cinco anos”, observa.

Nos últimos oito meses, as ações da Petrobras e da Vale já tiveram valorização de cerca de 50%, um salto de gigante diante do dólar, que, no ano, acumula queda de 22,6%. “Uma distância muito grande também em relação aos fundos de investimentos de renda fixa, à poupança e ao FGTS”, compara o professor de economia e analista de mercado Paulo Vieira. Para o especialista, enquanto o dólar deve alcançar o fim do ano oscilando entre R$ 1,70 e R$ 1,80, os fundos devem continuar a acumular valorização.

O professor de física Rafael Vilela avalia seu perfil como conservador, mas mesmo assim diz que não hesitaria em usar seu FGTS para investir em ações da Petrobras. “Da primeira vez que o governo lançou a possibilidade, não me inteirei muito bem das regras e terminei perdendo a oportunidade. Se a compra de ações fosse novamente aberta, sem dúvidas investiria, porque o rendimento do FGTS é pífio demais, inferior ao da poupança”, avalia.

Em 2002, o engenheiro eletricista Leonardo Mesquita comprou ações da Vale com recursos do FGTS. Em menos de dois anos ele acumulou uma valorização de aproximadamente 70%. “Saquei o dinheiro para quitar o meu apartamento. Foi uma estratégia muito feliz do governo.”

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